Jornalista André Trigueiro lança livro Espiritismo e Ecologia

O livro Espiritismo e Ecologia do jornalista André Trigueiro teve 10.000 exemplares publicados em sua 1ª edição lançada pela Editora FEB, e encontra-se no momento em sua 2ª edição. O livro trata da relação existente entre a Doutrina Espírita e o Meio Ambiente. O leitor irá se surpreender com as afinidades que certas obras espíritas possuem com os postulados ecológicos.

Fonte : www.feblivraria.com.br

Grupo Espírita Divino Espírito Santo, de Macaé, promove palestra na Reunião de Fraternidade

PALESTRANTE: DILTON PEREIRA

TEMA:
LIVRO-EMMANUEL

ENDEREÇO: RUA MANOEL BENTO,91 , CAJUEIROS-MACAÉ

DATA:
28/02/2010

HORÁRIO:
17:00H

CARNAVAL

Plenamente cientes de que a encarnação
na Terra não é uma colônia de férias mas um estágio de aprendizado
e crescimento espiritual, os Espíritos
Superiores, em diversas oportunidades,
têm revelado a real face do carnaval.
Mostram eles que, apesar de ser uma festa
popular, presente ainda, embora de forma
declinante, na cultura brasileira, o carnaval,
nem por isso, deixa de ser um poderoso
gerador de energias deletérias, capazes de
contaminar até mesmo os que nele tomam
parte sem sentido outro que não o da simples
diversão. Os Espíritos amigos mostram
também como os dias de Momo atraem, das
regiões mais obscuras do mundo espiritual,
entidades enfermas, vinculadas à sexolatria
e a diversos outros tipos de desequilíbrio,
as quais vêm à Terra na ânsia de vampirizar
os que se deixam envolver por suas sugestões
inferiores.

Entre algumas dessas mensagens amigas
vale destacar aqui, como exemplo, uma
de Emmanuel, psicografada por Chico
Xavier em julho de 1939, publicada na revista
“Reformador”, da Federação Espírita
Brasileira, de fevereiro de 1987:

“Nenhum espírito equilibrado em face
do bom-senso, que deve presidir a existência
das criaturas, pode fazer a apologia
da loucura generalizada que adormece as
consciências nas festas carnavalescas.

É lamentável que, na época atual,
quando os conhecimentos novos felicitam
a mentalidade humana, fornecendo-lhe a
chave maravilhosa dos seus elevados destinos,
descerrando-lhe as belezas e os
objetivos sagrados da Vida, se verifiquem
excessos dessa natureza entre as sociedades
que se pavoneiam com o título de
civilização. Enquanto os trabalhos e as
dores abençoadas, geralmente incompreendidos pelos homens, lhes burilam o
caráter e os sentimentos, prodigalizandolhes
os benefícios inapreciáveis do progresso
espiritual, a licenciosidade desses
dias prejudiciais opera, nas almas indecisas
e necessitadas do amparo moral dos outros
espíritos mais esclarecidos, a revivescência
de animalidades que só os longos
aprendizados fazem desaparecer.

Há nesses momentos de indisciplina
sentimental o largo acesso das forças da
treva nos corações e, às vezes, toda uma
existência não basta para realizar os reparos
precisos de uma hora de insânia e de
esquecimento do dever.

Enquanto há miseráveis que estendem
as mãos súplices, cheios de necessidade e
de fome, sobram as fartas contribuições
para que os salões se enfeitem e se intensifiquem
o olvido de obrigações sagradas
por parte das almas cuja evolução depende
do cumprimento austero dos deveres sociais
e divinos.

Ação altamente meritória seria a de
empregar todas as verbas consumidas em
semelhantes festejos na assistência social
aos necessitados de pão e de carinho.

Ao lado dos mascarados da pseudoalegria,
passam os leprosos, os cegos, as
crianças abandonadas, as mães aflitas e
sofredoras. Por que protelar essa ação
necessária das forças conjuntas dos que
se preocupam com os problemas nobres
da vida, a fim de que se transforme o
supérfluo na migalha abençoada de pão e
de carinho que será a esperança dos que
choram e sofrem?

Que os nossos irmãos espíritas compreendam
semelhantes objetivos de nossas
despretensiosas opiniões, colaborando
conosco, dentro das suas possibilidades,
para que possamos reconstruir e
reedificar os costumes para o bem de todas
as almas.

É incontestável que a sociedade pode,
com o seu livre-arbítrio coletivo, exibir
superfluidades e luxos nababescos, mas,
enquanto houver um mendigo abandonado
junto de seu fastígio e de sua grandeza,
ela só poderá fornecer com isso um elo-
quente atestado de sua miséria moral.”

Fonte : Boletim SEI nº2174

Programa Transição entrevista Américo Sucena

Neste próximo domingo,14/02/2010, no Programa Transição, o entrevistado será Américo Sucena, com o Tema “Projeto Imagem”.

O Programa Transição será apresentado por André Luiz Ruiz, pela REDE TV na Capital e Grande São Paulo, domingo às 15:15 horas.

Visite o site do programa e fique atualizado: www.programatransicao.tv.br


Cobertura das emissoras da Rede TV
Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Bahia e Pernambuco.
Todas as Parabólicas, TV a Cabo e SKY.
Outras localidades com horário diferenciado:
Santos: 10:30 horas
Campinas: 10:30 horas
Grande Goiânia: 13:30 horas

Para os amigos do Grande ABC (SP) o Programa Transição será apresentado também aos Domingos às 10:30hs, pela ECO TV Canal 96 da Vivax e Canal 9 da NET.

Visite o site para acessar todos os Programas anteriores.

Programa Transição
A Visão Espírita para um Novo Tempo
www.programatransicao.tv.br

Programação da 23ª Semana Espírita do 34º CEU

O 34º CEU convida para a sua XXIII SEMANA ESPÍRITA , de 08 a 14/03/2010
Tema central: “DE VOLTA ÀS BASES”


Programação


08/03 - Segunda-feira - 20:00 horas

Expositora: MAIRA VALÉRIA VEIGA DE OLIVEIRA (Petrópolis)
Local: C. E. CHICO XAVIER
Tema: “LIVRO DOS ESPÍRITOS – OS PILARES DA CODIFICAÇÃO ESPÍRITA”.

09/03 - Terça-feira - 20:00 horas


Expositora: DARCI NEVES MOREIRA (Rio de Janeiro)
Local: CASA RENÊ PESSA
Tema: “A VIVÊNCIA DO EVANGELHO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO”.

10/03 - Quarta-feira - 20:00 horas


Expositora: CARMEN SILVEIRA (Niterói)
Local: C. E. FONTE DE LUZ
Tema: LIVRO DOS MÉDIUNS – ORIENTANDO A MEDIUNIDADE COM JESUS

11/03 - Quinta-feira - 20:00 horas


Expositor: EDUARDO MALUF (Juiz de Fora)
Local: C. E. SEAREIROS DO BEM
Tema: “ATUALIDADE DAS OBRAS DE KARDEC”.

12/03 - Sexta-feira - 20:00 horas


Expositor: ANDRÉ MARINHO (Rio de Janeiro)
Local: C. E. AMOR E CARIDADE
Tema: “O ESPIRITISMO E A VISÃO DE DEUS POR JESUS”.

13/03 - Sábado - 9:00 horas

Expositora: OLÍVIA MAGDALENA SINGH DE SÁ (Cabo Frio)
Local: SOCIEDADE ESPÍRITA JOANNA DE ÂNGELIS, DE AQUARIUS
Tema: “OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DO ESPIRISTISMO”.

13/03 - Sábado - 20:00 horas


Expositora: MAGALI ANDRADE (Niterói)
Local: C. E. CASA DO CAMINHO
(Sob a coordenação do Centro Espírita Casa do Caminho, da Confraria Cristã Espírita Mensageiros da Paz e da Sociedade Espírita Joanna de Angelis)
Tema: “O CEU E O INFERNO COMO CONSTRUÇÃO ÍNTIMA”.

14/03 - Domingo - 18:00 horas


Expositora: MAGALI ANDRADE (Niterói)
Local: C. E. TRABALHADORES DE JESUS
Tema: “OS SINAIS DE DEUS NA CRIAÇÃO” (142 ANOS DE “A GÊNESE”)

OBS : O 34º CEU abrange as casas espíritas de Cabo Frio, Arraial do Cabo e Armação dos Búzios

Turma da Mônica e a reencarnação

A revista em quadrinhos Turma da Mônica lançou uma história explicando às crianças o processo da reencarnação. Com a linguagem leve que lhe é peculiar, o gibi traz uma abertura às discussões, no meio infantil, sobre temas ligados ao Espiritismo. Para visualizar o conteúdo basta acessar: www.monica.com.br/comics/reencarnacao/

Fonte : FEB - Federação Espírita Brasileira

Programa Transição entrevista Dr. Rubens Cascapera

Neste próximo domingo ,07/02/2010, no Programa Transição, o entrevistado será Dr. Rubens Cascapera, com o Tema “Medicina e Espiritualidade”.

O Programa Transição será apresentado por André Luiz Ruiz , pela REDE TV na Capital e Grande São Paulo, domingo às 15:15 horas.
Cobertura das emissoras da Rede TV
Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará, Bahia e Pernambuco.
Todas as Parabólicas, TV a Cabo e SKY.
Outras localidades com horário diferenciado:
Santos: 10:30 horas
Campinas: 10:30 horas
Grande Goiânia: 13:30 horas

Visite o site do programa e fique atualizado: www.programatransicao.tv.br

Matéria da revista ISTOÉ aborda a mediunidade



O poder dos médiuns


Como a ciência justifica as manifestações de contato com espíritos e por que algumas pessoas desenvolvem o dom

por Suzane Frutuoso
fotos Murillo Constantino

O espiritismo é seguido por 30 milhões de pessoas no mundo. O Brasil é a maior nação espírita do planeta. São 20 milhões de adeptos e simpatizantes, segundo a Federação Espírita Brasileira – no último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 2,3 milhões declararam seguir os preceitos do francês Allan Kardec, o fundador da doutrina. A mediunidade, popularizada pelas psicografias de Chico Xavier, em Uberaba (MG), ganhou visibilidade nos últimos anos na mesma proporção em que cresceu o espiritismo. Mas nada se compara ao poder da mídia atual, que permite debater os ensinamentos da religião por meio de livros, programas de tevê e rádio. Os romances com temática espiritualista de Zíbia Gasparetto, por exemplo, são presença constante nas listas de mais vendidos.

Embora não haja estatísticas de quantos entre os praticantes são médiuns, o que se observa é uma quantidade maior de pessoas que afirmam possuir o dom. O interesse pela religião codificada por Kardec é confirmado pelo recorde de público do filme Bezerra de Menezes – o diário de um espírito, do cineasta Glauber Filho: 250 mil espectadores, desde o lançamento nos cinemas, em 29 de agosto. Um número alto para uma produção nacional. O longa, com o ator Carlos Vereza (também praticante do espiritismo) no papel-título, conta a história do cearense que ficou conhecido como "médico dos pobres", se tornou ícone da doutrina e orienta médiuns em centenas de centros a se dedicar ao bem e à caridade.

Os espíritas dizem que todas as pessoas têm algum grau de mediunidade. Qualquer um seria capaz de emitir pensamentos em forma de ondas eletromagnéticas que chegariam a outros planos. O que torna algumas pessoas especiais, segundo os praticantes, a ponto de se transformarem em canais de comunicação com os mortos, é uma missão – designada antes mesmo de nascerem, determinada por ações em vidas anteriores e que tem na caridade o objetivo final. "É uma tarefa em favor da evolução de si mesmo e da ajuda ao próximo", diz Julia Nesu, diretora do departamento de doutrina da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Fenômenos relacionados a pessoas que falavam com mortos e envolvendo objetos que se mexiam são relatados desde o século XVII, tanto na Europa quanto nas Américas, mas hoje cientistas tentam compreender o fenômeno. Algumas linhas de pesquisa mostram que o cérebro dos médiuns é diferente dos demais.

São cinco os meios de expressão da mediunidade. A psicografia, que consagrou Chico Xavier, é a mais conhecida. Nela, o médium escreve mensagens e histórias que recebe de espíritos. Estaria sob o controle deles o que as mãos transcrevem. A vidência permite enxergar os mortos que não conseguiram se desvencilhar da Terra ao não aceitarem a morte ou que aparecem para enviar recados a entes queridos. Na psicofonia, o sensitivo é capaz de ouvir e reproduzir o que os espíritos dizem e pedem. A psicopictografia, ou pintura mediúnica, permite ao médium ser instrumento de artistas desencarnados (termo usado pela doutrina para designar mortos). A mediunidade da cura é responsável pelas chamadas cirurgias espirituais. Não é incomum um mesmo indivíduo reunir mais de um tipo de dom.

VIDÊNCIA

Ver e auxiliar aqueles que estão em outro plano

Aos cinco anos, o chefe de faturamento hospitalar Ivanildo Protázio, de São Paulo, 49 anos, pegava no sono com o carinho nos cabelos que uma senhora lhe fazia todas as noites. Descobriu tempos depois que era a avó, morta anos antes. Aos 19 anos, os espíritos já se materializavam para ele."Nunca tive medo. Sempre me pareceu natural." A mãe, que trabalhava na Federação Espírita, o encaminhou para as aulas em que aprenderia a lidar com o dom. Hoje, Protázio é professor de educação mediúnica. Essa é uma parte da sua missão. A outra é orientar os espíritos que lhe pedem auxílio para entender o que aconteceu com eles. A oração é o remédio. "Os espíritos superiores me ensinaram a importância da caridade para nossa própria evolução."

A reportagem de ISTOÉ presenciou uma manifestação mediúnica em Indaiatuba, interior de São Paulo. O tom de voz baixo e os gestos delicados de Solange Giro, 46 anos, sugeriam que ela carrega certa timidez ao expor a própria vida numa conversa com um estranho. Cerca de duas horas depois, porém, é difícil acreditar no que os olhos vêem. Diante de uma tela em branco, sobre uma mesa improvisada com dezenas de tubos de tinta, a mulher começa a pintar um quadro na seqüência de outro. O tempo gasto em cada um não passa de nove minutos. As obras são coloridas e harmoniosas. "Nunca fiz aula de artes. Mal conseguia ajudar meus filhos com os desenhos da escola", diz, minutos antes da apresentação. A discreta Solange dá lugar a uma pessoa que fala alto, canta e encara os interlocutores nos olhos, com ar desafiador. A assinatura nas telas não leva seu nome, mas de artistas famosos – e já mortos –, como Monet, Mondrian e Tarsila do Amaral. Seria uma interpretação digna de uma atriz? Talvez. O que difere o momento de uma encenação é subjetivo e dá margem a dezenas de explicações – convincentes ou não. Talvez seja possível encontrar respostas no que a artista diz a cada uma das pessoas da platéia presenteadas com um dos dez quadros produzidos na noite. Enquanto entregava a obra, ela desferia características e situações de vida de cada um absolutamente desconhecidas dela. O mentor que a guia é o médico holandês Ernst, que viveu no século XVII. A sensitiva garante que era ele, não ela, quem estava presente na pintura dos quadros.

Nem sempre é fácil aceitar a mediunidade, que pode causar medo quando começa a se manifestar. "Ainda hoje não gosto quando vejo o possível desencarne de alguém. Nestas horas, preferia não saber", conta a psicóloga Marilusa Moreira Vasconcelos, 65 anos, de São Paulo, que psicografa. O médium de cura Wagner Fiengo, analista fiscal paulistano, 37 anos, chegou a se afastar da doutrina. "Aos 13 anos não entendia por que presenciava aquilo." Para manter a sanidade e o equilíbrio, as pessoas que possuem dons e querem fazer parte da religião espírita precisam se dedicar à educação mediúnica. O curso leva cinco anos. Inclui os ensinamentos que Allan Kardec compilou no Livro dos Espíritos – a obra que deu base ao entendimento da doutrina – e no Livro dos Médiuns – que explica quais são os tipos de mediunidade, como eles se manifestam e os cuidados a serem tomados. Entre eles, o combate a falhas de comportamento, como vaidade, orgulho e egoísmo. O Espiritismo prega que as imperfeições da personalidade atraem espíritos com a mesma vibração. "O pensamento é tudo. Aqueles que pensam positivo atrairão o que é semelhante. O mesmo acontece com o pensamento negativo e os vícios. Quem gosta de beber, por exemplo, chama a companhia de espíritos alcoólatras", afirma o professor de educação mediúnica Ivanildo Protázio, 49 anos, de São Paulo, que tem o dom da vidência.

PSICOFONIA

Falar o que os espíritos querem dizer

A intuição do servidor público Geraldo Campetti, 42 anos, de Brasília,começou na infância. Ele tinha percepções inexplicáveis, das quais mais ninguém se dava conta. Era como se absorvesse sentimentos que não eram seus. Apenas identificava que existia algo além do que seus olhos enxergavam. Até que as sensações começaram a tomar forma. Campetti passou a ouvir súplicas de ajuda. De espíritos, inconformados com a morte. Aos 29 anos, não se assustou. De família espírita, conhecia a mediunidade. "Mas sabia que precisava estudar para manter o equilíbrio", diz. Hoje diretor da Federação Espírita Brasileira, afirma ter controle sobre o dom de ouvir e transmitir recados dos mortos. Eventualmente, um espírito pede uma mensagem à pessoa com quem ele conversa. "Isso é espontâneo, não da minha vontade."

Imaginar que convivemos no cotidiano com pessoas que estão mortas vai além da compreensão sobre a vida – pelo menos para quem não acredita em reencarnação. Mas até na ciência já existem aqueles que conseguem casar racionalidade com dons espirituais. Esses especialistas afirmam que a mediunidade é um fenômeno natural, não sobrenatural. E que o mérito de Allan Kardec foi explicar de maneira didática o que sempre esteve presente – e registrado – desde a criação do mundo em todas as religiões. O que seria, dizem os defensores da doutrina, a anunciação do Anjo Gabriel a Maria, mãe de Jesus, se não um espírito se comunicando com uma sensitiva?

Apesar desse contato constante, os mortos, ou desencarnados, como preferem os espíritas, não aparecem em "carne e osso". A ligação com o mundo dos vivos seria possível graças ao perispírito, explica Geraldo Campetti, diretor da Federação Espírita Brasileira. "Ele é o intermediário entre o corpo e o espírito. A polpa da fruta que fica entre a casca e o caroço." O perispírito seria formado por substâncias químicas ainda desconhecidas pelos pesquisadores terrenos, garantem os adeptos do espiritismo. "É a condensação do que Kardec batizou como fluido cósmico universal", afirma o neurocirurgião Nubor Orlando Facure, diretor do Instituto do Cérebro de Campinas. Nas quatro décadas em que estuda a manifestação da mediunidade no cérebro, Facure mapeou áreas cerebrais que seriam ativadas pelo fluido.

CURA

Cirurgias sem dor nem sangue

O primeiro espírito a se materializar para o analista fiscal Wagner Fiengo, 37 anos, de São Paulo, foi de um primo. Ele tinha dez anos, teve medo e se afastou. Mas, na juventude, um tio, seguidor da doutrina, avisou que era hora de ele se preparar para a missão que lhe fora reservada. Por meio da psicografia, seu guia espiritual, o médico Ângelo, informou que teriam um compromisso: curar pessoas. Ele não foi adiante. Uma pancreatite surgiu sem que os médicos diagnosticassem os motivos. Há quatro anos, seu guia explicou que as doenças eram ajustes a erros que Fiengo havia cometido numa vida passada. A missão era a forma de equilibrar a saúde e a alma. Em 2004, iniciou as cirurgias espirituais. Ele diz que não é uma substituição ao tratamento convencional. "É um auxílio na cura de fatores emocionais e físicos."

Comprovar cientificamente a mediunidade também é objetivo do psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira, professor de medicina e espiritualidade da Faculdade de Medicina da USP e membro da Associação Médica-Espírita de São Paulo. Com exames de tomografia, ele analisou a glândula pineal (uma parte do cérebro do tamanho de um feijão) de cerca de mil pessoas. "Os testes mostraram que aqueles com facilidade para manifestar a psicografia e a psicofonia apresentam uma quantidade maior do mineral cristal de apatita na pineal", afirma Oliveira. Ele também atende, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, casos de pacientes de doenças como dores crônicas e epilepsia que receberam todos os tipos de tratamento, não tiveram melhora e relatam experiências ligadas à mediunidade. "Somamos aos cuidados convencionais, como o remédio e a psicoterapia, a espiritualidade, que vai desde criar o hábito de orar até a meditação. E os resultados têm sido positivos." Uma pesquisa de especialistas da USP e da Universidade Federal de Juiz de Fora, publicada em maio no periódicoThe Journal of Nervous and Mental Disease, comparou médiuns brasileiros com pacientes americanos de transtorno de múltiplas personalidades (caracterizado por alucinações e comportamento duplo). Eles concluíram que os médiuns apresentam prevalências inferiores de distúrbios mentais, do uso de antipsicóticos e melhor interação social.

A maior parte dos cientistas acredita que a mediunidade nada mais é do que a manifestação de circuitos cerebrais. Alguns já seriam explicáveis, como os estados de transe. Pesquisas da Universidade de Montreal, no Canadá, e da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, comprovaram que, durante a oração de freiras e monges católicos, a área do cérebro relacionada à orientação corporal é quase toda desativada, o que justificaria a sensação de desligamento do corpo. Os testes usaram imagens de ressonâncias magnéticas e tomografias feitas no momento do transe.

A teoria seria aplicável ao transe mediúnico, quando o médium diz incorporar o espírito e não se lembra do que aconteceu. Pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, estudaram pessoas que estiveram entre a vida e a morte e relataram se ver fora do próprio corpo durante uma operação ou entrando em contato com pessoas mortas. Os estudiosos concluíram se tratar de um fenômeno fisiológico produzido pela privação de oxigênio no cérebro. Trabalhando sob stress, o órgão seria também inundado de substâncias alucinógenas. As imagens criadas pela mente seriam apenas a retomada de percepções do cotidiano guardadas no inconsciente.

PSICOPICTOGRAFIA

Milhares de quadros pintados

Criada numa família católica, Solange Giro, 46 anos, de Parapuã, interior de São Paulo, teve o primeiro contato com o espiritismo aos 20 anos, ao conhecer o marido. Ele, que perdera uma noiva, buscava o entendimento da morte. Já casada e com dois filhos, passou a sofrer de depressão. Encontrou alívio na desobsessão (trabalho que libertaria a pessoa de um espírito que a domina). A mediunidade dava os primeiros sinais. Logo passou a ouvir e ver espíritos. O dom da psicografia veio em seguida. Era um treino para ser iniciada na pintura mediúnica. "Pintei cinco mil quadros no primeiro ano. Estão guardados. Não tive autorização para mostrálos", conta Solange, que diz nunca ter estudado artes. Nos últimos 13 anos, ela recebeu aval de seu mentor para vender os quadros. O dinheiro é revertido para a caridade.

O psiquiatra Sérgio Felipe Oliveira rebate a incredulidade. "Se uma pessoa está em cirurgia numa sala e consegue descrever em detalhes o que ocorreu em um ambiente do outro lado da parede, é possível ser apenas uma sensação?" Essa é uma pergunta que nenhuma das frentes de pesquisa se arrisca – ou consegue – a responder com exatidão. Da mesma maneira que todos os presentes à sessão de pintura em Indaiatuba saíram atônicos, sem conseguir explicar como alguém que conheceram numa noite foi capaz de decifrar suas angústias mais inconfessáveis.




Fonte : Revista ISTOÉ - Edição 2030 - 01-10-2008